Parte 3 - O dia seguinte

Por Bianca Smolarek | Países:Eslováquia e Hungria
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Após poucas horas mal dormidas, descemos para o café da manhã. Nossa última refeição fora um almoço típico, não necessariamente delicioso, na Eslováquia, no dia anterior. E não tínhamos ideia de quando seria a próxima. Então, não perdemos tempo: fizemos um monte de sanduíches de queijo e presunto e escondemos na mochila. Depois disso, consultamos o mapa – seria mais ou menos uma hora de caminhada até a embaixada – e saímos andando por Budapeste, carregando junto os 200 reais. Alguma dúvida de que encontraríamos um turista brasileiro que pudesse trocar essa grana pra gente?


Sanduíches do café da manhã, como garantia de refeição

Pela primeira vez na vida conseguimos percorrer dezenas e dezenas de quadras num país estrangeiro sem cruzar com nenhum brasileiro – na única vez que gostaríamos muito de encontrar um! E assim foi por muitas horas. E mais: nenhuma agência de câmbio troca reais em Budapeste. E mais: nesse dia choveu... Éramos como dois mendigos molhados, sem dinheiro, sem documento e sem cachaça. Abandonamos a ideia de tentar trocar dinheiro e decidimos seguir direto para a embaixada, que só atendia até mais ou menos meio-dia.
 
Depois de uns quarenta minutos caminhando, chegamos à rua das embaixadas, onde vários países estão representados. O mapa nos mostrava que a Embaixada do Brasil era o último edifício da via (claro, não poderia ser o primeiro, senão ficaria muito fácil...) e lá fomos nós subindo a rua. Passamos por diversas bandeirinhas, por casinhas típicas, por várias nações. Quando chegamos ao número 7, o do Brasil... havia uma clínica de estética no lugar! Sim, uma clínica de estética! Olhamos para um lado, para outro, para o mapa, para o fim da rua, para o começo da rua e, finalmente, para o céu.  “O que fazer agora?!”
 
Ninguém sabia nos informar o que havia acontecido com a Embaixada do Brasil que deveria estar ali. Não tínhamos telefone celular, nem dinheiro para usar um orelhão. Tínhamos apenas o netbook na mochila... A duas quadras dali encontramos o Kara Cafe, um estabelecimento árabe que disponibilizava wireless aos seus clientes. De mansinho, nos aproximamos de uma jovem garçonete que estava na porta e tentamos uma comunicação em inglês: “Ei, moça. Não temos dinheiro para tomar nem um café, mas precisamos urgentemente de internet. Poderíamos, por favor, entrar aí e acessar?”. Surpreendentemente ela entendeu tudo. E incrivelmente concordou! Foi a primeira pessoa solidária que encontramos...
 

Bianca acessando a internet no Kara Cafe

Acessamos o site do Itamaraty e descobrimos que a polícia húngara nos deu o endereço antigo da Embaixada do Brasil. Há sete anos ela não estava mais ali! Pegamos o endereço correto e pedimos à gentil garçonete que nos mostrasse onde ficava no mapa. Quando ela colocou seu lindo dedinho a uma distância gigantesca de onde estávamos, não me aguentei e me descabelei. Estávamos muito longe e já eram quase 11 horas. Caminhando, jamais chegaríamos lá a tempo.
 
Eis que a garçonete se interessou em entender o que estava havendo. Contamos toda a história e explicamos que não tínhamos dinheiro para chegar à embaixada. Ela nos pediu para aguardar, entrou no bar e voltou com um bilhete amassado de metrô (provavelmente sua passagem de volta para a casa no fim do dia) e umas moedas de forint que pagariam o segundo bilhete. Nessa hora, eu nem quis saber se os europeus são mais reservados que os brasileiros. Saí logo abraçando a garota. “Qual é o seu nome?”. “Sofia!”.  “Sofia, você é um anjo!”. Agradecemos muito e, antes de sair correndo, escrevemos um e-mail para a Embaixada do Brasil na Hungria dizendo que estávamos tentando chegar lá e pedindo, por favor, que nos aguardassem.

 


 E-mail desesperado enviado à Embaixada e ao Consulado do Brasil em Budapeste

 


 Metrô mais antigo da Europa


Só tínhamos um tíquete cada um e, no metrô mais antigo da Europa, onde tudo é mais estranho e menos moderno, não há grande integração de linhas. Portanto, não poderíamos errar! Apesar de todas as nossas dúvidas sobre a direção a tomar, o mapa do metrô e principalmente o idioma, seguimos para o lado certo. Foram uns 20 minutos no trem e outros 25 de caminhada, até chegarmos a um prédio comercial num bairro nada turístico de Budapeste. A Embaixada do Brasil ficava num dos andares daquele prédio. Para subir, precisávamos fazer um cadastro na recepção. Pediram nossos documentos... (só para ter uma última complicaçãozinha, claro). Enfim, explicamos a nossa saga ao recepcionista, que fingiu ter entendido e nos deixou subir. Agora era rezar para a embaixada ainda estar aberta.


André descreve a odisseia, que nesta hora ainda estava em andamento...

No próximo capítulo:
- ..... “Você é a Bianca?”. Não acreditei que estava ouvindo português. E chorei de novo......
- ..... Foi nosso primeiro passeio minimamente turístico em Budapeste.....
- ....Comemoramos, mas sabíamos que isso não seria suficiente para nos sustentar nos próximos dias ...

Não perca! Próxima quinta tem o episódio final!

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Como é bom a "pré-viagem", não? Aquela preparação, a expectativa, os detalhes. Vivendo a viagem, a partir de agora, será seu companheiro do início até o fim de sua viagem. Quer saber como tira visto para a Turquia? Aqui você descobre como. O que fazer para minimizar o risco de extraviar suas malas? Aqui tem. . E muitas outras coisas bacanas. Agora em um só lugar.

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Seu companheiro

Vivendo a viagem é sobre turismo, hotéis, resorts, pousadas, pacotes turísticos, destinos, passagens, câmbio, restaurantes, passeios e tudo mais que envolve uma viagem seja nacional ou internacional. É sobre as roubadas que sempre existem, sobre aquela vontade deliciosa de explorar o desconhecido. É sobre viajar mas, acima de tudo, é sobre viver ou sobreviver em outras cidades.